quarta-feira, 8 de maio de 2019

#14 "E perseveravam na doutrina dos apóstolos" (At 2:42). Qual doutrina?


Veja todos os vídeos do estudo do livro de Atos dos apóstolos na playlist:
https://www.youtube.com/playlist?list=PLqzqR_TZDPZZ3ZSIoS8st-C5sfVBc25pS

Olá irmãos amados e interessados em conhecer as verdades bíblicas.
Como viviam os primeiros convertidos de Atos capítulo 2?
Qual era a esperança futura que esses irmãos tinham?
Qual era a doutrina ensinada pelos apóstolos? Será que ela se assemelha em tudo ao ensino e esperança que nós temos?
Em Atos capítulo 2, Lucas nos revela:
“E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas
orações” (Atos 2:42).
Qual era a doutrina dos apóstolos? O que ele quer dizer com comunhão? Que costume era esse do “partir do pão”? Qual era a esperança aguardada por esses irmãos, motivo de suas orações?
Em nossos próximos 4 estudos, falaremos sobre esses 4 pontos apresentados como “a perseverança” da igreja que surge em Atos 2.
Hoje falaremos sobre o primeiro ponto: “perseveravam na doutrina dos apóstolos”.
Qual era a doutrina dos apóstolos aqui em Atos 2?
Temos lembrado constantemente em nosso estudo do livro de Atos, que a doutrina dos apóstolos consistia na concretização das promessas feitas por Deus à nação de Israel, a promessa antiga, feita por Deus, de eles serem um reino de Sacerdotes.
Para que os israelitas alcançassem esse reino, eles precisavam, como nação, estar obedientes a todos os preceitos da Lei entregues por Deus a Moisés no monte Sinai, era isso que diferenciava eles dos outros povos (Rm 3:1-2).
Quando nós falamos toda a Lei, não estamos nos referindo apenas aos 10 mandamentos, mas todos os preceitos da lei: circuncisão, cerimoniais de purificação (os diversos batismos), sacrifícios e ofertas no templo.
O novo testamento inicia tendo como princípios doutrinários as mesmas ordenanças do velho testamento. João Batista, Jesus e os apóstolos cumpriam todos os preceitos da lei, guardando as festas, os dias, a alimentação e todos os ritos de purificação estabelecidos pela lei. A novidade anunciada por João Batista, por Jesus e agora pelos apóstolos, era o evangelho, a boa nova de que o reino prometido iria se concretizar com aquela geração de israelitas, portanto, além de perseverar em tudo o que a lei ordenava, os israelitas deveriam aceitar o Rei, o descendente de Davi que já havia sido manifestado entre eles, Jesus.
Você deve estar pensando: Mas Cristo não “aboliu, na sua carne, a lei dos mandamentos na forma de ordenança” (Ef 2:15)? Não está escrito que “o fim da lei é Cristo” (Rm 10:4)?
Bom, existe uma diferença muito grande entre a doutrina pregada ao povo de Israel para alcançar o reino e a doutrina pregada aos povos gentios para alcançar a salvação, e o nosso objetivo com esse estudo do livro de Atos é dar a você a compreensão de que esse reino que está prestes a acontecer, não acontecerá para essa geração. E não acontecerá porque os israelitas dessa geração rejeitarão o reino. Por isso, Deus irá por o povo de Israel de lado, e passará a tratar com toda a humanidade sem distinção, nós que eramos considerados gentios. Deus irá revelar o seu plano de salvação mediante a fé no sangue de Jesus Cristo, salvação que não é por obras, é dom de Deus.
Você já deve ter percebido que há uma distinção enorme entre a doutrina ensinada pelo nosso Senhor Jesus Cristo enquanto o objetivo de estabelecer o reino estava ainda em vigor, e aquela doutrina revelada pelo próprio Senhor Jesus ressuscitado, após a rejeição de Israel, doutrina que só é revelada nas cartas do novo testamento.
Você já deve ter ouvido falar que a salvação é pela fé, não depende de obras (Ef 2:8-9), mas nos evangelhos, Jesus disse: Só aquele que perseverar até o fim, será salvo(Mt 10:22; 24:13; Mc 13:13).
Paulo, disse “que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei” (Rm 3:28), mas, quando perguntaram a Jesus: “que farei para herdar a vida eterna?” Jesus respondeu: “Que está escrito na Lei? Como interpretas? Faze isto e viverás” (Lc 10:25-28).
Em sua revelação após a rejeição de Israel, Jesus ensina que Ele “nos salvou”, “não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia”, “justificados por graça”, mas o mesmo Jesus, enquanto pregava o evangelho do reino para Israel, ensina que praticar caridade era condição imperativa para “herdar o reino” (Mt 25:31-46), Jesus chega a dizer: “se a vossa justiça não exceder a dos escribas e a dos fariseus, não entrareis no Reino dos Céus" (Mt 5:20).
Do que estamos falando?
De dois evangelhos?
Sim. Um para alcançar o reino aqui na terra, que Israel não alcançou e outro para alcançar a justificação dos pecados mediante a fé, pela Graça de Deus.
Arminianos e Calvinistas estão brigando porque encontram na bíblia base para sustentar suas afirmações. A questão não é “Qual deles é bíblico?” Mas, “qual deles está ensinando a doutrina que deve ser seguida por, nós nos dias de hoje”.
Você já ouviu falar em: Vender propriedades e bens, trazer os valores correspondentes e depositar aos pés dos apóstolos”?
No próximo estudo falaremos sobre o segundo ponto da “perseverança da igreja”: “a comunhão”.
Tome cuidado. Muitos enganadores pegarão essa, que era uma condição necessária aos israelitas para receber o reino prometido, e usarão esses versículos nos dias de hoje para oferecer a você promessas que nunca se cumprirão, pois você não está debaixo da lei e das promessas da lei, mas debaixo da graça (Rm 6:14). “E, se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça” (Rm 11:6).

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