quarta-feira, 21 de julho de 2010

Nossos inimigos


Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem.
Mateus 5:43-44

Quantifique em sua mente o conceito de “milhares de pessoas”.
De quantas pessoas podemos estar falando? Com certeza mais de mil? Algo que não chegue a um milhão?
Tentaremos agora dimensionar o que cabe na afirmação de Tiago com relação aos judeus crentes que habitavam em Jerusalém por ocasião da chegada de Paulo àquela cidade.

Bem vês, irmãos, quantos milhares há entre os judeus que têm crido, e todos são zelosos da lei. Atos 21:20

Tiago está falando de quantas pessoas? A última vez em que se falou em números foi em At:4:4 (quase 5 mil homens) e “a multidão dos que criam no Senhor, tanto homens como mulheres, crescia cada vez mais” Atos 5:14. Caberiam na afirmação de Tiago umas 700 mil pessoas? Mas esta é a população atual de Jerusalém. Que tal umas 80 mil pessoas? Esta é a população estimada da cidade para a época. E se reduzíssemos pela metade? Ou metade da metade? Estamos nos aproximando do numero de Atos 4 e assim contrariando a afirmação de que a igreja crescia em número (Atos 9:31; 12:24).
E por que isso é importante?
Para percebermos que os crentes representavam uma parcela significativa da população.
E daí? Daí que Paulo foi nesta ocasião preso e, se não fosse cidadão romano seria condenado à morte, e ninguém fez nada para defendê-lo?
Por quê? Porque nem sempre os “crentes” são favoráveis às intenções do Senhor. É possível que dentre os acusadores de Paulo estivessem muitos destes milhares. E por que estariam entre eles? Porque como Tiago afirma, eles não viam com bons olhos o ministério de Paulo (Atos 21:21). E por que “crentes” não o viam com bons olhos? Por que pregava entre os gentios. E daí? Daí que gentio é “inimigo”, não merecem a salvação, “foram anos de opressão nas mãos dos persas, babilônios, romanos e outros, e agora que o Cristo se manifesta, em seus entendimentos representa glória para Israel e vingança a seus inimigos”.
Como nos dias de hoje, já naquela época as pessoas aceitavam a “parte boa”, a parte que “lhes interessa” do cristianismo. Como nos dias de hoje, naquela época também as pessoas afirmavam crer em Cristo sem de fato crer e praticar suas palavras e doutrina. Começaram bem, mas logo trocaram o Senhor pela “minha religião”, “minha igreja”, “minha fé”. E ao fazer isso, impõem seus dogmas como vontade do Senhor, excluindo qualquer que não se ajuste a seus modos, arrogantemente desejando que o Senhor se vingue deles.
Orgulhamos-nos de nossa religião e a multidão de crentes de nossas igrejas. Mas, suponhamos que nosso Senhor Jesus Cristo nascesse entre nós mais uma vez. E como dantes, procurasse defender “beberrões, prostitutas, publicanos e pecadores”. Ao proferir suas parábolas, nós, os religiosos, fossemos identificados como sendo os fariseus e sacerdotes desta época, enquanto aqueles a quem tanto criticamos e julgamos indignos, fossem apresentados como bons exemplos de fé.
Assim como os crentes de Jerusalém desejaram a morte de Paulo (Atos 22:22), nós a desejaríamos a qualquer que amasse nossos inimigos com tal intensidade, e só não crucificaríamos o Cristo, caso estivesse entre nós, porque as leis de nosso país o protegeriam. E por quê? Simplesmente porque Ele não veio para nós religiosos, os puros entre impuros. Ele veio para aqueles que reputamos como inimigos.

Não necessitam de médico os que estão sãos, mas, sim, os que estão enfermos; Eu não vim chamar os justos, mas, sim, os pecadores, ao arrependimento.
Lucas 5:31-32

Irmãos, a palavra nos ensina que não temos inimigos de carne neste mundo. Temos sim um ministério e almas a serem alcançadas, não esquecendo que, como membros da igreja de Cristo, somos também ministério de alguém.

Pois não é contra carne e sangue que temos que lutar, mas sim contra os principados, contra as potestades, conta os príncipes do mundo destas trevas, contra as hostes espirituais da iniqüidade nas regiões celestes.
Efésios 6:12
Quanto a milhares que têm a fé em nosso Senhor Jesus Cristo em acepção de pessoas, (Tiago 2:1)

“o firme fundamento de Deus permanece, tendo este selo: O Senhor conhece os seus”.
2Timóteo 2:19

terça-feira, 20 de julho de 2010

O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem

"O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem; e o homem mau, do seu mau tesouro tira o mal; pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca"
LUCAS 6:45



Certa vez consultaram-se os fariseus em como surpreenderiam nosso Senhor Jesus Cristo em alguma palavra.
Pensaram eles consigo mesmo - "em uma única pergunta será desmoralizado e teremos de que lhe acusar".

É lícito pagar o tributo a César, ou não?
Mateus 22:17

Observem que nas "entrelinhas" da pergunta está embutida a astúcia. Se a resposta fosse “sim, é lícito”, eles colocariam a multidão contra o Senhor Jesus, acusando-o de honrar a um homem como se fosse um deus, pois assim os pagãos tratavam o imperador. Se a resposta fosse não, Ele estaria contrariando a lei romana sendo passível de punição.
Nosso Senhor Jesus conhecendo-lhes a astúcia retirou “do bom tesouro do seu coração” a boa resposta.

Mostrai-me a moeda do tributo. E eles lhe apresentaram um dinheiro. E ele diz-lhes: De quem é esta efígie e esta inscrição? Dizem-lhe eles: De César. Então ele lhes disse: Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.
Mateus 22:19-21

Muitas vezes e de muitas maneiras seremos experimentados em nossas vidas por questões maliciosas engendradas astutamente por aqueles têm prazer em causar o mal. Nem sempre teremos a boa resposta. Neste caso podemos ficar calados. O Senhor Jesus nos dá o exemplo de que às vezes nada há para responder quando existe maldade nas intenções.

Os principais dos sacerdotes o acusavam de muitas coisas; porém ele nada respondia
Marcos 15:3


Nosso Deus não exige que tenhamos sabedoria para responder esplendidamente às questões que este mundo elabora ardilosamente para nos tentar. Ele apenas nos pede para que não nos assemelhemos aos tais, e, quando surpreendidos saibamos portar-nos humildemente.

Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna.
Mateus 5:37


Meditemos em nossas palavras e nas intenções. Aquilo que colocamos nas “entrelinhas” de nossa forma de se expressar. Sejamos “vasos para honra”, “para que o adversário se envergonhe, não tendo nenhum mal que dizer de nós” (2Tm 2:21; Tt 2:8).

Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que seja boa para a necessária edificação, a fim de que ministre graça aos que a ouvem.
Efésios 4:29