Que a queima de incenso que se fazia a cada manhã e a cada entardecer estava associada às orações do povo, a palavra de Deus não nos deixa dúvidas. No salmo 141:2, Davi sujeita suas orações à pureza deste símbolo sagrado. Nas visões de João no livro de apocalipse também o incenso aparece significando as orações dos santos (Ap 5:8, 8:3-4). A fumaça do incenso que era queimado, subindo aos céus, sempre representou a ascensão das petições, súplicas, aflições e ações de graças do povo de Deus, chegando a Sua presença como oferta de aroma suave e aceitável ao Senhor. Este era o ministério sacerdotal de Zacarias, pai de João Batista, na ocasião em que o anjo Gabriel lhe apareceu (Lc 1:8-23).
Curiosamente a palavra de Deus nos ensina, por meio deste ritual da Velha Aliança, que a oração necessita de um veículo, caminho intercessor que conduza nossos pedidos à presença do Senhor. No Velho Testamento o sacerdote fazia o papel de intercessor onde a cada manhã e entardecer cuidava para que as orações fossem dirigidas a Deus conforme o cerimonial ordenado. Já na Nova Aliança, o Espírito “nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis” (Rm 8:26).
Isso nos alerta à preocupação com a reverência em nossos momentos de oração. Muito nos entristece a forma desleixada e vulgar como alguns cristãos se dirigem ao Senhor nesta oportunidade extraordinária e única que Ele nos concede. Veja no V. T. o cuidado exigido pelo Senhor concernente a este rito. Não era qualquer incenso, de forma alguma seria aceito “incenso estranho”, tinha composição única, “arte de perfumista”, puro e santo, exclusivo ao Senhor, “não o fareis para vós mesmos”, tudo era preparado com antecedência (Ex 30:34-38).
Semelhantemente o Senhor não se agrada quando nos dirigimos a Ele da mesma maneira como nos dirigimos a um nosso semelhante. Deixe as gírias, o inapropriado, o trivial de lado. Também a postura merece atenção. Imagine-se na presença do mais nobre e importante dos homens que você conhece, agora multiplique por milhões de vezes o zelo e cuidado para com esse momento, pois você se propõe estar na presença do “Rei dos Reis” e “Senhor dos Senhores”.Não pense com isso que a oração merece data especial e ocasião, que pela sua seriedade, há de tornar-se rara. Lembre-se de I Tessalonicenses 5:17: “Orai sem cessar”. Use como modelo o nosso texto de Êxodo 30:7-8: Cada manhã, quando puser em ordem as lâmpadas (ou as coisas que planejas para o dia que se inicia), o queimará. E, acendendo Arão as lâmpadas à tarde, o queimará (ou melhor, ao findar do dia em gratidão pelas bençãos derramadas); este será incenso contínuo perante o SENHOR pelas vossas gerações (ou uma rotina a se manter por toda a vida). De fato esse será um excelente hábito a se cultivar, atitude que chega a nós através de um modelo estabelecido pelo próprio Deus.